SAUDADE

A saudade já era muita!

Bolas, mesmo muita!

Deixaste-me mas ainda bem que puseste as coisas no seu devido lugar, principalmente a cabeça, né?

Chegaste à conclusão que eu e tu... tu e eu... nós dois... escusado será dizer, né?

Agora já sabes, não voltas a repetir a gracinha!!!



Sim! Tu, António Banderas Black Sensation- Perfume.

SÓ NÓS DOIS

Estávamos os dois juntos.
Juntinhos. Só nós dois.
Lá fora o vento soprava com alguma intensidade.
Eu estava ansioso. Nervoso até…
Era de madrugada. Horas? Não vi… Esqueci-me de ver!
As luzes estavam apagadas.
Sentei-me. Olhei-a de frente e pensei cá comigo: “É desta!!!”.
Levei as mãos aos botões. Aqueles botões… Pequeninos, redondinhos…
Acendeu-se logo!!!
Acariciei-lhe as linhas. Meu Deus! Tão suave!
Comecei por lhe fazer o que sabia.
Fiz TUDO o que sabia.
A cada toque meu, ela respondia.
E nós os dois, juntos, numa simbiose perfeita fomos indo, indo, cada vez mais depressa, mais depressa… E começámos a subir.
A subir. A SUBIR!!! Mais alto. Cada vez mais alto! Mais… Mais…
Podia jurar que éramos capazes de tocar as estrelas com as pontas dos dedos de tão perto estávamos.
Havia tremores que de vez enquando aconteciam… Não sei dizer se meus ou se dela.
E aí… Atingimos o topo. O mais alto. Até onde não podíamos mais ir. Mais não.
E assim estivemos por um tempo. Quanto? Não sei.
Inevitavelmente começámos a descer. Descemos, descemos, suavemente até atingirmos o solo. O chão. Cá em baixo. A Terra.
E, sempre juntos, na simbiose perfeita, parámos.
Parámos quietinhos.
O vento lá fora já não se fazia sentir.
Levantei-me. Antes de dar meia volta, olhei-a de novo. Um olhar apaixonado.
Beijei-a.
Saí como quem não quisesse sair.
Quando saí para a rua, beijei a porta.
A porta da minha aeronave.
A porta do meu Boeing 737-600.

SEI NÃO...

Estou relutante... Não sei se tomo banho ou se não...

É que... Se tomar banho perco o teu cheiro... Esse cheiro maravilhoso que desde ontem teimosamente não me larga (ainda bem!).

Sinto-te por todo o lado, na ponta dos meus dedos, na minha cara, no ar...

Tenho medo de, ao perder o teu cheiro, perder as recordações da mais maravilhosa noite que me proporcionaste desde que estamos juntos...

Porque tinhas que acabar? Porquê?

Estarás sempre comigo.

Sim! Tu, António Banderas Black - Perfume.

QUERIA.

Quero dizer, mas não sei como.

Talvez, começando pelo princípio. Dizendo que queria transferir para mim o teu sofrimento, para que, dentro do pouco que posso fazer, aliviar-te e assim evitar que passes por esta privação.

Queria, como se possível fosse, tirar-te deste horror e enfrenta-lo eu por ti, colocando-te dentro de mim, protegendo-te. Chorava, berrava, esperneava e no fim consolava-me, acarinhava-me e quando estivesses pronta, "paria-te".

Mas só posso torcer por ti, chorar contigo, mesmo não estando tu comigo. Manterei viva a tua imagem no meu pensamento, pois assim acredito que estou a dar-te forças e a ajudar-te a suportar.

Queria dizer e, se calhar, já disse.

Olha - numa pequena frase: CONTA COMIGO.

LUA COMPANHEIRA

É no raiar do dia que, quem está devotadamente ligado à madrugada e a tudo o que ela representa, sente o que lhe vai na alma, na mais pura verdade.

E é singularmente triste chegar à conclusão que a Lua, muitas vezes companheira da nossa solidão (já assim cantou o Poeta), não é afinal nossa fiel acompanhante, isso só porque, quem dedicamos tamanha devoção, não tem e não merece a aprovação da nossa Musa, dita vagabunda do espaço (também já cantado pelo Poeta).

Só nos resta pedir a Ti, Lua, que sejas suficientemente esclarecedora nas tuas indicações, cheias de novas luas crescentes, para que possamos entregar a outros marinheiros da madrugada, um bom porto de cheias marés, para que não tenham que passar pelos mesmos eclipses totais de escuridão por nós vividos e que não desejamos a quem queremos o mesmo bem que julgamos ser merecido a nós.

Paló
Luanda, 25/10/2011