OBRIGADO

Depois de 2 meses e picos da minha separação da Casa da Morna, voltei a ter a oportunidade de estar em palco ao lado de um grande músico e grande amigo.

Voltei a sentir aquela adrenalina, aquele arrepiar dos pelos do meu corpo inteiro, aquela paz de espírito, aquela sensação indiscritível de estar a fazer o que realmente gosto.

Durante duas horas, o mundo e a vida tornaram-se realmente cor-de-rosa.

Qual chuva ou tempestade, quais saudades ou desavenças, qual Benfica, Porto ou Sporting!

Por duas horas fui feliz. Fui feliz a fazer música ao lado do meu grande amigo.

Obrigado, Zé Afonso. Deus te proteja.

Renato:

Bô era sol qu'tava iluminam na dia-a-dia qu'tá passá pa mi
Bô era lua cheia qu'tava guiam na nhas not cum tá perdê suzin
Bô fui brilhe qu'iluminam camim dent d'nha escuridão
Bô fui força qu'apoiam na nhas desilusão
< Agora...
< Bô ê lembrança que f'cam pra sempre na nha coraçon.
<
Paló

A PENA CAPITAL

Partiste prá terra distante
Deixaste comigo a saudade
Seguiste aquela chamada
Qe o coração decidiu
<
Eu vi em ti mais que um amigo
Que me escutava e compreendia
Mas numa noite, estando contigo
Percebi que te perdia
<
Tentei esquecer tudo o que passou
Mas a suadade comigo ficou
A vida assim não tem sentido
Quem me dera ter-te comigo
<
Agora eu sou a dor vadia
O esforço infinito
A tristeza de um lamento
A vida rejeitada
<
A frustração de um louco
O pesadelo
A própria loucura
A Pena Capital
<<
Paló
Poema dedicado a Renato Figueiredo

HÁ HOMENS E HÁ CAVALHEIROS

No passado dia 14 de Novembro, o Artista Leonel Almeida telefonou-me ao fim da tarde a convidar-me a participar da banda da casa do En'Clave no Sábado seguinte, 18.
Por não ser a primeira vez que tal acontecia, não se falou muito sobre a questão, uma vez que já ele sabia que podia contar comigo e eu já sabia as condições que aquela casa oferecia.
Na madrugada do Sábado combinado, às 6:30, recebi uma mensagem do Leonel no meu telemóvel, dizendo que via-se obrigado a desmarcar o compromisso, pois o músico que eu ia substituir estaria regressado da viagem que fora fazer e que podia comparecer ao trabalho nessa noite.
Mas... o Leonel FAZIA QUESTÃO DE HONRAR O COMPROMISSO E PAGAVA-ME O CACHET MESMO ASSIM.
Pois bem, cavalheiros destes são uma espécie quase extinta!!!
Até porque tenho conhecimento de colegas meus que têm passado por situações opostas, com compromissos assumidos há muito mais tempo que este e que à última hora são desmarcados.
Mas também tenho conhecimento que o nosso Leonel já ficou sem receber cachets de concertos que fez, mas nem por isso os músicos que o acompanharam ficaram sem receber.
Por isso mesmo quero aqui deixar uma palavra de apreço e agradecimento a este Homem que eu tanto respeito e admiro.
Bem hajas, Leonel Almeida.
Paló, Lisboa, 21 de Novembro de 2006

O MEU NOME É BERNARDO

Sou um gajo normal. Não muito magro, não muito gordo. Não sou xpto, mas também não sou démodé.

A minha profissão é cheia de altos e baixos. Como todas profissões liberais. Até há cerca de um ano atrás era chamado a actuar com alguma frequência. Não muita, mas alguma.

Mas depois dessa altura, a concorrência aumentou.

Enormemente...

E deixei de ser chamado.

É pena.

Até porque estou sempre em forma, tenho sempre as pilhas carregadas, tenho um dispositivo que me faz trabalhar consoante o gosto do freguês e nunca me saí mal...

Mas há que ter paciência e esperar que melhores dias regressem.

Pois é. O meu nome é Bernardo.

Profissão: Vibrador.

Paló

UNITED CVA GROUP

Inicio agora o regresso para casa.
Acabei de bloquear o VOR de Fortaleza a 4.000 pés, às minhas 3 horas.
Tenho uma visão inacreditável da orla marí­tima.
Neste ponto inicio o procedimento pelo rumo 324º.
São dois minutos incríveis descendo pela perna do vento até atingir o mínimo de 2.200 pés com uma última volta à esquerda para o rumo 127º, na perna base. O meu destino é a famosa UNO TRÊS.
Aqui digo ao controlador que o ILS está activado, trem de aterragem descido e bloqueado, mas não consigo aceitar que a pista me quer no solo através das facilidades de um equipamento electrónico.
Dobro-me ao meu desejo e faço a visual, com flaps a 20%, sinto que estou quase lá; velocidade de 165 nós e a descer, dou -me ainda ao mimo de dar uma ultima correcção no manche e, já no solo, numa aterragem quase perfeita, reverto os motores.
Não há como esquecer este momento do reverse aberto do Number One da TAM, mas volto rapidamente à realidade e sai o da principal pela segunda à direita ...
Eu sou um piloto virtual da united CVA Group.
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Hélio Eugénio