LUA COMPANHEIRA

É no raiar do dia que, quem está devotadamente ligado à madrugada e a tudo o que ela representa, sente o que lhe vai na alma, na mais pura verdade.

E é singularmente triste chegar à conclusão que a Lua, muitas vezes companheira da nossa solidão (já assim cantou o Poeta), não é afinal nossa fiel acompanhante, isso só porque, quem dedicamos tamanha devoção, não tem e não merece a aprovação da nossa Musa, dita vagabunda do espaço (também já cantado pelo Poeta).

Só nos resta pedir a Ti, Lua, que sejas suficientemente esclarecedora nas tuas indicações, cheias de novas luas crescentes, para que possamos entregar a outros marinheiros da madrugada, um bom porto de cheias marés, para que não tenham que passar pelos mesmos eclipses totais de escuridão por nós vividos e que não desejamos a quem queremos o mesmo bem que julgamos ser merecido a nós.

Paló
Luanda, 25/10/2011