segunda-feira, fevereiro 11, 2008

O MUNDO REAL DA AVIAÇÃO VIRTUAL


Aviação Virtual.

Para quem a faz, um hobby, um prazer, um status diferente. Para os outros... Um jogar aos aviões, gajos grandes a brincarem (não têm vergonha?), estes gajos são doidos... Passam hoooras naquela brincadeira!!!

Mas nós, os FSManíacos (Flight Simulator Maníacos) cá nos vamos aguentando com as críticas, brincadeiras de mau gosto e com o desdém do comum mortal non FSManiac.

A verdade é que a comunidade FS é enorme, as novas amizades são cada vez mais, a sã convivência entre os FSM é frequente e já se fazem festivais nesta matéria, encontros nacionais, feiras e o diabo a quatro.

Os festivais aéreos (reais) já têm uma componente virtual! Existem sempre stands de aviação virtual, ao lado dos da aviação real. Os simuladores mais sofisticados, baseiam-se no Flight Simulator da Microsoft, o tal " jogo doméstico" que estes gajos doidos passam hooooras ...

Existem Companhias Aéreas Virtuais. A TAP Virtual, a SATA Virtual, a SABENA, a BRUSSELS AIRLINES, a TAAG Virtual, a Virtual VARIG, a Virtual IBÉRIA, são, entre milhares de outras, congéneres das reais sem falar noutras tantas com nomes fictícios, como por exemplo a CABO VERDE AIRLINES, CVA, a primeiríssima Virtual Airline cabo-verdiana da qual eu fiz parte juntamente com outros cabo-verdianos e que depois da saída do grupo da componente africana se tornou na AIR BRASIL VIRTUAL.

A Fly Tires é uma loja de consumíveis informáticos mas tem uma secção dedicada inteira e exclusivamente à simulação (ou será o contrário?). O home cockpit mais real que eu vi ao vivo, pertence a esta loja que, inclusivé, dá instrução a futuros pilotos reais numa escola de aviação situada no aeródromo de Tires. O cockpit do avião é simulado com instrumentos reais, manómetros, altímetros, manche, pedais, comutadores, enfim tudo o que existe na realidade, culminando com uma projecçao 3D numa parede branca. A aprendizagem de uma disciplina da aviação, a navegação, pode ser feita nesta escola que usa esse tal joguinho de meninos que gente grande joga...

Nós, pilotos virtuais, conseguimos ter um tête-à-tête com pilotos reais. E digo mais: muito piloto real sente-se incomodado com os "colegas" virtuais!!!

Com o simulador da Microsoft, com os FSM que desenham cenários foto-realísticos e aviões que, se não for rigorosamente seguido o check list, não conseguimos sequer arrancar um motor, a simulação virtual deixou de ser um jogo. Passou a ser... Simulação de voo.

Estando online, pode-se facilmente ver o número de FSM que voam pelo mundo fora. E ainda não falei de uma outra simulação intrinsecamente ligada à do voo: os CTA's, controladores de tráfego aéreo virtuais.

Vocês, sim, vocês, os outros, os non FSM, fazem ideia do que é estarmos 2h para fazermos um voo de 45 minutos? Sim porque temos que preparar o voo, o avião, o flight plan. Temos que mandar entrar os passageiros, zelar pelo seu conforto. Temos que pedir autorização às torres para que possamos dar início ao voo. Temos que esperar a nossa vez para levantar voo porque existem mais seis ou sete FSM à nossa frente para descolar na 03 da Portela...

E quando o FSM faz um voo real? Estamos como peixes dentro de água... Até nos rimos dos outros que se assustam com uma simples turbulenciazinha, um poço de ar ou uma aterragem mais bruta... E porquê? Porque estamos dentro do assunto... E esta, hein?

As companhias aéreas virtuais também fazem o que na realidade se faz. Aluguer de aviões, sistema leasing, code share entre outras "virtualidades" é o que faz a mais recente Virtual Airline cabo-verdiana, a FLYER - VA, Linhas Aéreas Virtuais, da qual, novamente, faço parte.

Usamos software complementar que nos obriga, a nós, staff da Administração, estar de olho, por exemplo, na saúde financeira da empresa, uma vez que somos um VA pobre, com poucos recursos, com aviões alugados no sistema leasing, que têm que dar lucro a cada voo da sua frota. E com a inscrição de pilotos e consequente aumento dos voos nacionais e internacionais, a performance financeira virtual da empresa é algo que tem que ser diariamente acompanhada.

Nesta altura da composição deste post, temos apenas 5 pilotos que asseguram ligações inter-ilhas e internacionais. Mas temos fé que iremos ser um dia uma grande empresa... Com aviões próprios e muitos pilotos...

Em jeito de fim de conversa, uma palavrinha à visita que pessoalmente fiz ao Director Comercial dos TACV em 2003 (ainda no tempo da CVA) com o intuito de dar a conhecer o mundo virtual da aviação e com um pedido de patrocínio daquela empresa para apenas cobrir as despesas de alojamento do site (+/- 5.000 ECV cerca de 50€/ano) em troca da publicidade e das vantagens que teriam em ter o nome dos TACV numa Virtual Airline que, quer queiramos quer não, espalha o nome de Cabo Verde pelo mundo...

E em troca o que tive? Por pouco não fui parar ao Tribunal por causa do nome da VA (CABO VERDE AIRLINES - VA versus TACV - CABO VERDE AIRLINES) e à minha visita, ao meu pedido, à minha demonstração, foram aplicados o Artigo 6º.

Enfim... As coisas por que passamos...

3 comentários:

João Paulo disse...

É sempre difícil explicar este passatempo (para não usar termos estrangeiros) para a família / amigos / companheira. Acabamos sempre vistos como crianças "crescidas", sendo que este termo se refere apenas à dimensão física.
Este foi um tema que já repassou no site que ajudei a fundar, o Terra Brasilis. Na altura, acorreu-me à "lembradura" um verso do António Gedeão, e quem melhor que um poeta para descrever esta situação? Começa assim: "Eles não sabem nem sonham..." O resto já devem saber.

Estive uns tempos como gestor operacional do Hub de São Paulo da Noble Air, uma das 1ªs VA's com assento multinacional. Sei o que custa manter uma actividade dessas. Achei muito interessante essa "Flyer", para além do mais usando voos inter-ilhas em Cabo Verde com o ATR (a minha aeronave preferida). Acho que vão receber mais uma inscrição como Piloto. Apenas aviso que sou um nabo no voo online :-)

Stautira disse...

Meu caro

As consequências de sermos crianças crescidas já deu origem a situações bastante caricatas... Não seria má ideia criarmos um blog só com as peripécias hilariantes vividas por nós em relação àqueles que partilham a vida conosco... Havia de ser muuuito bem humorado esse blog, hehehe.

Quanto à inscrição na FLYER-VA, teremos muito gosto. O facto de não ter experiência em voos online, faz-me lembrar que na antiga CVA, tínhamos uma vertente "escola" para os menos experiêntes, com aulas personalizadas. Penso que na nesta VA poderá ser recriada essa filosofia.

Portanto, vá em frente com a sua inscrição e "deixe o resto por nossa conta".

PS: há sempre a hipótese de se fazerem voos offline, embora para alguns não dê prazer. Quanto a mim, depende da forma como se tem o fs artilhado. A mim dá-me tanto gozo fazê-los online quanto offline.

Aquele abraço.

Paló

Vavá disse...

ok,
e aeromoças virtuais?!

ê um detalhe importante qui ca debi fadja

:))

abraço,
Vavá (de aveiro)