quinta-feira, fevereiro 15, 2007

A VERDADE DOS FACTOS

Na próxima Segunda-Feira farei 43 anos de idade.
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Há pelo menos 33 anos que oiço dizer que uma das mornas mais bonitas deste nosso mundo musical, a morna XANDINHA, pertence exclusivamente a Amândio Cabral.

Pois é meus senhores, quero aqui esclarecer que o poema é da autoria de Dante Mariano, (falecido em 05/02/2001), escritor com poemas publicados na Antologia de Poesia Africana "No Reino de Caliban" e a música é da autoria de Amândio Cabral.

Esta morna foi publicada pela 1ª vez num single de nome "Mornas de Cabo Verde", numa edição da Casa do Leão, S. Vicente, Cabo Verde, em 1961.

Vários artistas republicaram o tema, tendo sido o último (do meu conhecimento) Tito Paris, num disco que ainda está em fase de gravação e que, segundo me prometeu Tito, terá na capa do mesmo a verdade sobre os autores deste tema.

Quero ainda publicar aqui, uma carta dirigida ao Sr. Guilherme Galiano, apresentador de um programa na RDP-África, que, por ter sido iludido com a falsa informação, assim a divulgou nas antenas da rádio atrás mencionada.

Devo acrescentar que o meu amigo Galiano prontamente repôs a verdade, aliás outra coisa não seria de esperar deste cavalheiro.
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Por último, a informação de que esta carta foi escrita por João Mariano que, tal como eu, é sobrinho de Dante Mariano.

Exm.º Senhor Guilherme Galiano
Sou um ouvinte do seu programa, do qual muito admiro.
Serve esta carta para fazer o seguinte esclarecimento a propósito da morna "Xandinha":
a) o poema é de Dante Mariano (falecido em 05/02/2001), escritor com poemas publicados na Antologia de Poesia Africana "No Reino de Caliban"; b) música de Amândio Cabral; c) a morna foi publicada num single de nome "Mornas de Cabo Verde", Edições da Casa do Leão, S. Vicente, Cabo Verde, por volta do ano de 1961.
O autor do poema nunca é mencionado, excepto num concerto que o grande senhor das mornas e coladeiras, Bana, deu no Coliseu de Lisboa, há cerca de 5 anos.
O poeta deve ser conhecido
Um Abraço
João Mariano

4 comentários:

Anônimo disse...

E quem fala assim...
Mas espera...não somos gagos?
Bem...imagina se fôssemos...

Zé Afonso.

© Jorge Martins disse...

É verdade.
Normalmente os autores ficam por se conhecer. Quando alguém interpreta uma música em público, deve sempre, ou no início ou no fim, referir o(s) nome(s) do(s) compositor(s). Devia acontecer o mesmo, quando citássemos um autor ou publicássemos uma imagem.
Infelizmente anda por aí muito crédito perdido em mãos alheias.

Mantenhas

Anônimo disse...

Caro, apoio as tuas palavras mas também acabei de editar um disco com o amandio barbosa no qual participaste e a autoria do tema vem atribuida aos seus donos ou seja, Dante Mariano e Amandio Cabral (D.MArinao/A.Cabral), e a RDP Africa tem vindo a passar este disco que por acaso só estará disponivel para o publico a partir de março.

Humberto Ramos

Anônimo disse...

Alcindo Monteiro (caboverdeano morto de morte matada, Bairro Alto, Lisboa)

Hoje o promontório de Sagres
mostrou a sua face
Hoje o usurpador regressou.

A lua ia alta no céu
tinha sabor amargo, a lua,
quando a pata do mostrengo
caiu sobre o corpo do Alcindo.

O Alcindo morreu.

Hoje o Alcindo partiu para longe
longe das patas deste premonitório
que há 500 anos vai sugando o sangue
e a gente vai ficando sem horizonte.
Irmão Alcindo Monteiro
quero em ti sentir
a tua mão
o teu rosto
tua mão pelo cimento crispada
teu rosto marcado como se condenado fosses.

A espada do gladiador
Nesta terra não descansou.
A força bruta e a iniquidade
Continuam existindo.
Eis a suprema tentação do usurpador:
- a supressão moral e física do outro! –
Essa sede de se elevar a si próprio às nuvens
E de aviltar o outro mais baixo do que a terra.
João Mariano